Caracterização de uma área degradada

Resultado de imagem para caracterização areas degradadas

Caracterização de uma área degradada


Devido a sua inquestionável importância para a produção agrícola, o solo é um dos componentes do agros sistema que tem sido mais estudado. A caracterização do solo durante os estádios iniciais de degradação, no entanto, é uma tarefa de difícil visualização. É possível que um solo cultivado esteja sofrendo erosão laminar, por exemplo, sem que o seu efeito venha a ser notado na produtividade da cultura agrícola implantada sobre o mesmo, visto que a perda de finas camadas dos horizontes superficiais do solo seria um processo progressivo e, muitas vezes, quase visualmente imperceptível (SOUZA, 2004). Em regiões montanhosas, o declive do relevo pode acentuar a erosão, levando a redução da cobertura do solo e, se esse processo não for interrompido, pode resultar na evolução para uma erosão em sulcos, e até mesmo voçorocas.

Os pesquisadores têm lançados esforços para entender o processo e também têm buscado identificar características do solo associadas a essas alterações, desse modo seria possível caracterizar o processo de degradação a partir do surgimento dessas alterações.No entanto, existe grande dificuldade para se estabelecer quais características são mais adequadas para quantificar e caracterizar o processo, assim como quais são os padrões de referência que devem ser utilizados (DIAS & GRIFFITH, 1998). 

Atualmente, admitem-se diversas abordagens sobre a caracterização de um ambiente degradado. Como exemplos, temos a abordagem restritiva ou segmentada, que preconiza a análise de cada componente, facilitando sua visualização e quantificação; e a abordagem ampla ou não segmentada, que busca a avaliação do ambiente como um conjunto de componentes em equilíbrio
(COELHO, 2001).
 


A atividade do homem pode causar degradação física, alterando, por exemplo, a textura, estrutura, profundidade, densidade, taxa de infiltração e capacidade de retenção de água do solo; química, alterando os teores de carbono e nitrogênio contidos na biomassa microbiana; e biológica, alterando o carbono orgânico total e o teor de matéria orgânica no solo. Quando essas características podem ser identificadas e quantificadas, é possível utilizar as mesmas como indicadores da qualidade do solo (REINERT, 1998). 

A adequada utilização desses indicadores depende de uma visão holística do sistema e da definição criteriosa de valores de referência para a avaliação dos estádios de degradação. Para tal, ainda é necessária a realização de pesquisas focadas na degradação para que seja possível estabelecer rotinas confiáveis e funcionais para o monitoramento e avaliação da degradação (DIAS & GRIFFITH, 1998; SOUZA, 2004). 

Rodrigues et al. (2007a) afirmam que ainda são raras as pesquisas sobre qualidade do solo sob o aspecto da degradação ambiental. E os mesmos autores ressaltam que as pesquisas nessa área precisam evoluir para que sistemas de monitoramento e diagnóstico mais fáceis e práticos sejam implementados, visto que a recuperação de áreas degradadas não consiste de ações isoladas, mas de um conjunto de atividades com o objetivo de recompor a paisagem que foi negativamente alterada (DIAS FILHO, 1998; DIAS & GRIFFITH, 1998).


O banco de sementes é composto pelas sementes viáveis presentes no solo de uma determinada área (HARPER, 1977), e está relacionado com a capacidade de estabelecimento de populações vegetais e de manutenção da diversidade de espécies na área após os distúrbios que causaram a sua degradação. Devido ao exposto, o banco de sementes tem sido utilizado como um indicador ecológico para monitorar e avaliar a regeneração de ecossistemas em recuperação (BRAGA et al., 2008; MARTINS, 2009). 

Referências

SOUZA, M. N.Degradação e recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável. 2004.
371f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, 2004.
  

DIAS, L. E.; GRIFFITH J. J. Conceituação e caracterização de áreas degradadas. In: DIAS, E. L.;
MELLO, J. W. V.
Recuperação de áreas degradadas. Viçosa: UFV/Sociedade Brasileira de
Recuperação de Áreas Degradadas, 1998. p.1-7.
  

COELHO, M. C. N. Impactos ambientais em áreas urbanas - teorias, conceitos e métodos de
pesquisa. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. C.
Impactos ambientais urbanos no Brasil. Rio
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. p.19-45.
  

REINERT, D. J. Recuperação de solos em sistemas agropastoris. In: DIAS, L. E.; MELLO, J. W.
V.
Recuperação de Áreas Degradadas. Viçosa: UFV/Departamento de solos/Sociedade Brasileira
de Recuperação de Áreas Degradadas, 1998. p.163-176.
  

DIAS FILHO, M. B. Pastagens cultivadas na Amazônia oriental brasileira: processos e causas de
degradação e estratégias de recuperação. In: DIAS, L. E.; MELLO, J. W. V.
Recuperação de áreas degradadas. Viçosa: UFV/Sociedade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas, 1998.
p.135-147.

HARPER, J. L. Population biology of plants.London, Academic Press, 1977.892p.

BRAGA, A. J. T.; GRIFFITH, J. J.; PAIVA, H. N.; MEIRA NETO, J. A. A. Composição do banco
de sementes de uma floresta semidecidual secundária considerando o seu potencial de uso para
recuperação ambiental.
RevistaÁrvore, v.32, n.6, p.1089-1098, 2008.

MARTINS, S. V. Recuperação de áreas degradadas: ações em Áreas de Preservação Permanente,
voçorocas, taludes rodoviários e de mineração. Viçosa: Aprenda Fácil, 2009. 270p.

 
 
 

 
  

Comentários